Dádiva da Adoração a Deus
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
A Igreja tem salvação?
Esta pergunta vem formulada por um dos mais renomados e fecundos teólogos da área do catolicismo: o suíço-alemão Hans Küng num livro recém lançado no Brasil: A Igreja tem salvação?(Paulus 2012). De forma entusiasta fomentou a renovação da Igreja junto com seu colega da Universidade de Tübingen, Joseph Ratzinger. Escreveu vasta obra sobre a Igreja, o ecumenismo, as religiões, a ética mundial e outros temas relevantes. Devido a seu livro que questionava a Infalibilidade papal foi duramente punido pela ex-Inquisição. Não abandonou a Igreja mas, como poucos, se empenhou em sua reforma com livros, cartas abertas e conclamações aos bispos e à comunidade cristã mundial para que se abrissem ao diálogo com o mundo moderno e com a nova situação planetária da humanidade.
Não se evangelizam pessoas, filhos e filhas de nosso tempo, apresentando um modelo medieval de Igreja, feito bastião de conservadorismo, de autoritarismo e de antifeminismo e sentindo-se uma fortaleza assediada pela modernidade, tida como a responsável por todo tipo de relativismo. Diga-se de passagem que a crítica feroz que o atual Papa move contra o relativismo é feita a partir de seu pólo oposto, o de um invencível absolutismo. Pois esta sendo a tônica imposta pelos últimos dois Papas, João Paulo II e Bento XVI: um não às reformas e uma volta à tradição e à grande disciplina, orquestradas pela hierarquia eclesiástica.
O livro de Küng A Igreja tem salvação? expressa um grito quase desesperado por transformações e, ao mesmo tempo, uma manifestação generosa de esperança de que estas são possíveis e necessárias, caso ela não queira entrar num lamentável colapso institucional.
Fique claro, de saída, que quando Küng e eu mesmo, falamos de Igreja, entendemos, em primeiro lugar, a comunidade daqueles que se permitem um envolvimento com a figura e a causa de Jesus. O foco, então, reside no amor incondicional, na centralidade dos pobres e invisíveis, na irmandade de todos os seres humanos e na revelação de que somos filhos e filhas de Deus, Jesus mesmo deixando entrever que era o próprio Filho de Deus que assumiu a nossa contraditória humanidade. Este é o sentido originário e teológico de Igreja. Mas, historicamente, a palavra Igreja foi apropriada pela hierarquia (do Papa aos padres). Ela se identifica com a Igreja tout court e se apresenta como a Igreja.
Ora, o que está em profunda crise é esta segunda compreensão de Igreja que Küng chama de “sistema romano” ou a Igreja-instituição hierárquica ou a estrutura monárquico-absolutista de comando. Sua sede se encontra no Vaticano e se concentra na figura do Papa com o aparato que o cerca: a Cúria Romana. Há séculos que esta crise se prolonga e o clamor por mudanças atravessa a história da Igreja, culminando com a Reforma no século XVI e com o Concílio Vaticano II (1962-1965) de nossos dias. Em termos estruturais, há que se reconhecer, as reformas sempre foram superficiais ou proteladas ou simplesmente abortadas.
Nos últimos tempos, entretanto, a crise ganhou uma gravidade toda especial. A Igreja-instituição (Papa, cardeais, bispos e padres), repito, não a grande comunidade dos fiéis, foi atingida em seu coração, naquilo que era a sua grande pretensão: a de ser a “guia e mestra da moral” para toda a humanidade. Alguns dados já conhecidos puseram em xeque tal pretensão e colocaram a Igreja-instituição em descrédito.
Os escândalos financeiros envolvendo o Banco do Vaticano (IOR) que se transformou numa espécie de off-shore de lavagem de dinheiro; documentos secretos, subtraídos das mais altas autoridades eclesiásticas, quem sabe até da mesa do Papa por seu próprio secretário e vendidos aos jornais, dando conta das intrigas por poder entre cardeais; e especialmente a questão dos padres pedófilos: milhares de casos em vários países, envolvendo padres, bispos e até o Cardeal pedófilo de Viena Hans Hermann Groër. Gravíssima foi a instrução de 18 de maio de 2001 enviada pelo então Cardeal Ratzinger a todos os bispos do mundo, para acobertarem, sob sigilo pontifício, os abusos sexuais a menores pelos padres pedófilos, a fim de que não fossem denunciados às autoridades civis.Um Magistrado de Oregon,USA, tentou convocar o Cardeal a um tribunal. Finalmente o Papa teve que reconhecer o caráter criminoso da pedofilia e aceitar seu julgamento pelos tribunais civis.
Küng mostra, com erudição histórica irrefutável, os vários passos dos papas para passarem de sucessores do pescador Pedro, a vigários de Cristo e a representantes de Deus. Os títulos que o cânon 331 confere ao Papa são de tal abrangência que cabem, na verdade, somente a Deus. Uma monarquia papal absoluta com o báculo dourado não se combina com o cajado de pau do bom Pastor que com amor cuida das ovelhas e as confirma na fé como pediu o Mestre (Lc 22,32)
Leonardo Boff
Oração de Nietzsche: Ao Deus desconhecido
Muitos só conhecem de Nitzsche a frase “Deus está morto”. Não se trata do Deus vivo que é imortal. Mas do Deus da metafísica, das representações religiosas e culturais, feitas apenas para acalmar as pessoas e impedir que se confrontem com os desafios da condição humana. Esse Deus é somente uma representação e uma imagem. É bom que morra para liberar o Deus vivo. Mas não devemos confundir imagem de Deus com Deus como realidade essencial. Nietzsche estudou teologia. Eu pude dar uma palestra na Universidade de Basel na sala em que ele dava aulas, quando fui professor visitante em 1998 lá. Essa oração que aqui se publica é desconhecida por muitos, até por estudiosos do filósofo. Por isso no final indico as fontes em alemão de onde fiz a tradução. No original, com rimas, é de grande beleza. LB
Oração ao Deus desconhecido
Antes de prosseguir no meu caminho
E lançar o meu olhar para frente
Uma vez mais elevo, só, minhas mãos a Ti,
Na direção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas do meu coração,
Tenho dedicado altares festivos,
Para que em cada momento
Tua voz me possa chamar.
Sobre esses altares está gravada em fogo
Esta palavra: “ao Deus desconhecido”
Eu sou teu, embora até o presente
Me tenha associado aos sacrílegos.
Eu sou teu, não obstante os laços
Me puxarem para o abismo.
Mesmo querendo fugir
Sinto-me forçado a servi-Te.
Eu quero Te conhecer, ó Desconhecido!
Tu que que me penetras a alma
E qual turbilhão invades minha vida.
Tu, o Incompreensível, meu Semelhante.
Quero Te conhecer e a Ti servir.
Friedrich Nietzsche (1844-1900) em Lyrisches und Spruchhaftes (1858-1888). O texto em alemão pode ser encontrado em Die schönsten Gedichte von Friederich Nietzsche, Diogenes Taschenbuch, Zürich 2000, 11-12 ou em F.Nietzsche, Gedichte, Diogenes Verlag, Zurich 1994.
Reflexão Teologica: liberdade para ser escravo (servo)
Abaixo segue o texto na íntegra e ao final um breve comentário meu:
Reflexão Teologica: liberdade para ser escravo (servo)
Por: Pr. Valdinei Sobrinho Santana, em 12.09.2012.Há quem diga que “quem não vive para servir, não serve para viver...” O que muitos não sabem ou não se dão conta é que a frase é extremamente bíblica. A dinâmica do reino de Deus é a dinâmica do serviço e da entrega. Há um texto muito especial nas referencias canônicas que mostra de forma clara e contundente esta realidade. Está em Marcos 10: 35 a 45, um dos textos mais lindos da bíblia. Neste, Jesus altera a ordem social do seu contexto, mostrando que seus discípulos deveriam seguir o seu exemplo em servir e não o de serem servidos.
O texto informa que dois discípulos (a outras versões que informam que o pedido foi da mãe) chegaram próximos a Jesus e lhe pediram algo incomum (pelo menos por ser discípulos de quem eram) O pedido foi de Tiago e João, e o que pediram a Cristo foi que ao subirem aos céus um se assentasse a sua direita e o outro a sua esquerda. A resposta de Jesus foi rápida e sintética, em outras palavras ele disse “Vocês não sabem a besteira que estão pedindo, nem sequer meditaram no que estavam para pedir para fazê-lo”. A lógica daqueles dois discípulos era a mais humana possível; Queriam estar acima dos demais. O desejo dos mesmos é o desejo do homem enquanto homem, que ao deparar-se em um mundo de “salve-se quem puder” age de forma autenticamente egocêntrica, para destacar-se acima de seus iguais, com todos os meios e métodos que possuem em mãos, justificando ou não, os fins aos meios. O que os dois pupilos de Jesus queriam era estar acima dos outros dez.
A resposta de Cristo é impressionante. Jesus fala que no seu contexto social (e por que não dizer em todos) os maiorais exercem autoridade sobre os menos favorecidos, “mais entre vos não é assim, portanto aquele que quiser ser senhor seja servo de todos”. Interessante como Jesus inverte a pirâmide social informando aos seus discípulos que os mesmo só poderiam ser senhores se antes de tudo, fossem servos. Ele segue dizendo que o mesmo também veio ao mundo para servir e não ser servido. Creio ser o único rei na historia da humanidade que teve a coragem de dizer que no seu reinado ele é o rei que serve e não o que é servido.
A palavra servo, que Jesus usou é diáconos. Que no grego bíblico tem o mesmo significado de escravo. Jesus estava dizendo que seus discípulos deveriam ser escravos e servos uns dos outros. O desejo dos filhos de Zebedeu é também intrínseco ao coração de muitos lideres cristãos (pelo menos assim se denominam) desejam a mesma coisa que Tiago e João: Serem vistos pelos demais estando acima dos mesmos. São lideres que seguem a risca a ortodoxia (doutrina correta) mais que esquecem ou menosprezam a ortopraxia (pratica correta). Disso deve resultar a reflexão da famosa frase teológica que; “Verticalidade mística, implica em horizontalidade ética”, traduzindo em miúdos, ou parafraseando o apostolo João; “Quem odeia o seu irmão a quem vê, não pode dizer que ama a Deus a quem não vê.” Ou “Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” No caso de Jesus.
Se Jesus veio servir, a igreja é também convocada ao serviço. A pregação do evangelho só pode ser autenticamente legitimada se a mesma ultrapassar o mundo dos discursos vazios e estereotipados, para que os senhores sejam servos. A igreja precisa inverter a pirâmide social para servir a sociedade e poder pensar como pensava são Francisco de Assis “Evangelize o mundo, se precisar use as palavras”...
Breve comentário por Alexsandro:
Cada vez mais precisamos nos deparar com essa realidade cristã: a de servir ao próximo como manifestação do amor que há em nós. E essa é a lógica do cristianismo e nela se baseia o reino de Deus: no amor a Deus e ao próximo e no amor de Deus para com a humanidade, revelado em Jesus Cristo. Não existe amor sem prestação de serviços. Mas nesses dias, o problema é que o ato de servir tem se tornado algo muito subjetivo, inclusive entre cristãos evangélicos e principalmente entre seus líderes. Ou seja, a ideia de servir se estagnou na esfera da linguagem, das meras palavras que por mais lindas que sejam, nunca passarão de palavras; se reduziu a atitudes triviais como fazer uma oração, interceder por um milagre de cura ou abençoar alguém com um óleo ungido. O líder que é capaz de servir através da operação de milagres não é também capaz de aplacar a fome de um irmão faminto. As grandes igrejas atuais se enriqueceram praticando esse "servir" subjetivo, mas na prática tanta riqueza não é revestida em obras sociais que façam jus à essa riqueza ou que faça uma diferença visível na vida daqueles que mais precisam da ajuda das igrejas. Não há um servir concreto, que vá além das palavras e ultrapassa o mundo das convenções sociais, como essa ideia do "salve-se quem puder" que foi citado no artigo. E cada vez mais a igreja se torna uma repetição do mundo, onde a competição e rivalidade por poder transforma seres humanos em meros objetos ou produtos a serem comercializados...
Bom, mas tudo isto já foi previsto, não foi? No entanto, nada nos impede de lutar por uma igreja sadia e livre dessa verticalidade social, das políticas de engrandecimento dos seus líderes e da prática desse serviço subjetivo e morto nas fronteiras das palavras.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Ofensas e preconceitos contra a fé
A esse tipo de ofensa, por exemplo, costumo responder aos arrogantes e ignorantes que fazer parte da igreja não significa cometer suicídio intelectual ou cultural. O Cristo que servimos nos orienta a prestá-lo um culto racional e com entendimento. Na bíblia, tida por ateus como instrumento de cegueira intelectual, Deus chama seus servos a amá-lo de todo o coração, de toda a alma e de todo entendimento (Mt 22:37). Por amá-lo de todo entendimento, entendemos que nos é pedido para aplicarmos todo raciocínio afim de conhecermos a Deus e usarmos todo esse raciocínio e conhecimento para chegarmos até Ele. Deus rejeita a fé cega e toda forma de culto irracional; o seu chamado é um convite para a libertação de todo ser, inclusive da mente!
O fato é que quando alguém que começa a fazer parte de uma igreja ou de qualquer outra instituição e permite que lhe roubem a mente e lhe manipulem, na verdade este alguém já é um ignorante e cego antes mesmo de entrar naquele local. E com sabemos, ignorantes sempre são aproveitados e manipulados, seja na igreja por líderes corruptos, na política ou em qualquer outro lugar. A boa fé e excessiva confiança de pessoas simples sempre serão exploradas, mas isso se dará em qualquer lugar onde houver ser humano. Homens inteligentes não perdem seu cérebro ao fazer parte de uma igreja, pelo contrário, se tornam cada vez mais críticos e interessados em obter conhecimento.
O fato de achar que a pessoa se tornou cego e ignorante por entrar na igreja é apenas manifestação de preconceito e, em sua maior parte, de ofensa contra a religião.
Então, pra terminar, quando pregarmos o evangelho a alguém, não nos limitemos a dizer somente que cremos em Cristo, antes façamos como Paulo e apresentemos os motivos porque cremos nEle. E como temos esperança em Cristo, expliquemos os motivos dessa esperança de forma racional e inteligente. Temos fé e esperança em Cristo, devemos portanto, expor os motivos dessa fé, mostrando como é possível crer em Deus de forma racional e com entendimento, como Ele pede, e não como um cego que crê numa bíblia escrita por homens e sem credibilidade. Explique porque a bíblia tem credibilidade. Aliás, você sabe porque a bíblia tem credibilidade? Ou você pensa que a credibilidade dela é comprovada somente por ela mesma quando nela se afirma que é inspirada por Deus? Claro que é inspirada por Deus, mas sua veracidade e credibilidade pode ser demonstrada de várias formas, uma dela é fazendo uma análise de sua origem. Afinal a bíblia é um documento registrado na história. É importante mostrar ao incrédulo esses elementos que dão a ela uma base histórica viável, aceitável e lógica.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
C.S. Lewis e Sigmund Freud: Uma comparação de seus pensamentos e de suas visões sobre a vida, a dor e a morte. Parte I
Trad.: Vitor Grando
http://despertaibereanos.blogspot.com
“Não parece ser o caso de haver um poder no universo que observa o bem-estar dos indivíduos com cuidado paternal e dirige seus interesses em direção à um final feliz. Pelo contrário, os destinos da raça humana não podem ser harmonizados nem com a hipótese de uma benevolência universal nem com a parcialmente contraditória hipótese de justiça universal. Terremotos, tsunamis, complicações que não fazem nenhum distinção entre os virtuosos e piedosos e os imorais e descrentes. Mesmo quando o que está em questão não é a natureza inanimada, mas quando o destino individual depende de suas relações com outras pessoas, não é de maneira alguma a regra de que o mal é punido e o bem recompensado. Frequentemente são os espertos e ímpios que usufruem das boas coisas do mundo e o piedoso não usufrui de nada. São poderes obscuros, insensíveis e sem amor que determinam nosso destino. Os sistemas de recompensas e punições, que a religião descreve como governo do universo, parece não existir.”
C.S. Lewis e Sigmund Freud: Uma comparação de seus pensamentos e de suas visões sobre a vida, a dor e a morte. Parte II
Trad.: Vitor Grando
http://despertaibereanos.blogspot.com
Você tem que me imaginar sozinho naquele quarto em Magdalene, noite após noite, sentindo, a todo momento que minha mente se desviava do meu trabalho, a permanente, e persistente aproximação dEle, o qual eu não queria encontrar de maneira alguma. O que eu temia, finalmente, me sobreveio. No Trinity Term de 1929 eu finalmente desisti, e admiti que Deus era Deus, e me ajoelhei e orei: talvez, aquela noite, o mais relutante e desapontado convertido de toda Inglaterra.
Pelo que sabemos da vida de Freud, ele parece ter sido possuído por pensamentos de morte. Mais do que qualquer grande homem que eu posso imaginar. Mesmo na época que estávamos nos conhecendo ele tinha o desconcertante hábito de partir dizendo “Adeus. Você talvez não me verá nunca mais.” E então haviam os repetidos ataques do que ele chamava de “o pavor da morte”. Ele odiava envelhecer. Mesmo quando ele tinha quarenta anos e a cada ano que se passava, os pensamentos de morte se tornavam cada vez mais despóticos. Ele disse uma vez que ele pensava sobre isso cada dia de sua vida, o que é bastante incomum.
Isso era por que ela estava doente, também: e o que era estranho é que haviam diversos médicos no seu quarto, e vozes e gente indo e vindo por toda a casa, portas se abrindo e fechando. Parecia ter durado por horas. E então meu pai, às lágrimas, entrou no meu quarto e começou a tentar explicar para a minha mente apavorada coisas que eu jamais havia concebido antes.
Eu vi a morte com bastante frequência [na guerra] e mesmo assim não consigo deixar de vê-la como extraordinária e incrível. Uma pessoa real é tão real e tão obviamente viva e diferente do que o corpo morto. Não é possível crer que aquele algo se tornou em nada, que alguém pode subitamente se transformar em nada.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
A Hipocrisia do Ateísmo
Com frequência o meu blog em particular – e o site Humanitatis de modo geral – recebe visitas de ateus militantes, que querem convencer sei lá quem de que a existência de Deus não é fato. Bem, eles podem fazer isso o quanto quiser. Não podem é querer convencer-nos de que o mundo seria melhor e mais humano sem a crença em um Deus e sem a ação do Cristianismo, em particular.

Na base da crítica dos neo-ateus contemporâneos está um confuso conceito de mal. Dizem eles que o mal no mundo rivaliza com Deus, pois se Ele é Bom não pode conviver com o mal. Será? O que é o mal? A filosofia nos ensina que o mal não é uma entidade. Pelo contrário, há entes que são maus: este homem é mau, este evento é mau, esta decisão é má, etc. O indivíduo que, por natureza, é mal não existe. O mal é carência, é falta de um bem necessário ao ente ou àquela ação. E mais: no fundo de cada evento mau está algo bom. Com razão, a existência do Bem Absoluto, que é Deus, não poderia existir diante do Mal Absoluto, pois não é possível dois absolutos. Mas o absoluto convive com o relativo, sem que haja qualquer contradição. Assim, a existência do mal – que é um fato – convive com a existência de Deus – outro fato! – sem que haja contradição porque o mal relativo não põe em xeque o Bem Absoluto. Mas como explicar o mal no mundo, se Ele não pode advir do Bem Absoluto?
Há dois tipos de mal possíveis: o mal físico e o mal moral
. O mal, como foi dito, é carência de bem. Isto é, a falta de uma propriedade que caberia a um ente ou ação, mas que nele não se encontra. Por exemplo, de um pai espera-se a propriedade da laboriosidade. Ora, se a um indivíduo que é pai falta a virtude do trabalho, falta-lhe um bem moral, o que significa que há um mal moral. De outro modo, ao animal a sensibilidade é um bem. Se algum ente animal não possui sensibilidade ele,de fato, sofre um mal. Mas é muito diferente o mal que advém da falta de laboriosidade e da falta de sensibilidade! O primeiro é um mal moral, pois é a falta de um bem que deveria existir na ação do indivíduo, que não a possui; o segundo é um mal físico, pois refere-se a um bem que deveria existir no próprio ente (a sensibilidade aos animais), mas não possui. Perceba que todos os males que encontramos no mundo são desses dois tipos: ou decorrem da falta de um bem que devia estar na ação humana, ou da falta de um bem que devia ser encontrada da natureza de um ente.Ora, Deus fez os homens livres e, para que seja Deus, Ele tem que deixá-los livres. Portanto, se o homem faz más escolhas que produzem males para si e para outros, Ele não pode intervir para mudar as escolhas dos homens. Diferente dos homens, Ele não é contraditório. O mal moral, aquele que nasce de más escolhas humanas, não testemunha a não existência de Deus, mas apenas que este homem em particular não praticou o bem que deveria.Ou alguém sustenta que as más escolhas dos filhos (mal moral) são provas incontestáveis de que seus pais não existem? Se o mal moral no mundo são provas de que Deus não existe também deveria ser de que filhos imorais não têm pais, que nasceram do pó da terra.

Quanto ao mal físico, muitos exemplos há que decorrem de más escolhas morais. Assim, um assalto a banco, que é um mal moral, pode ter como consequência mortes, paralisias, ferimentos, enfim males físicos. Além disso, sabe-se que as invenções do homem também impactam na vida biológica de todos, produzindo males físicos inexistentes no passado. Grande é o número de pessoas com Síndrome de Down no Japão e as bombas atômicas lançadas sobre o país não têm uma relação casual com esse evento.
Vejam que nem o mal físico nem o mal moral decorrem diretamente de Deus, pois se Ele existe – e Ele É! – não pode advir dEle, Bondade Eterna. Logo, o argumento ateísta de que o mal no mundo é prova de que Deus não existe é falso. Mas o pior é afirmar que o mundo seria melhor sem Deus.

terça-feira, 17 de maio de 2011
Um Gezuis estranhamente familiar
Nasceu no Palácio de Herodes em Jerusalém, centro do poder judaico. Veio para o que era seu, e os seus o receberam, e com muitas pompas!
Aos doze anos já discutia novas rotas comerciais e estratégias de conquista com os conselheiros reais.
Seu primeiro milagre aconteceu num pomposo casamento na realeza. Transformou a água em suco de caju, não por haver faltado bebida na festa, mas apenas para dar uma gorjeta do seu poder. Poderia tê-la transformada em vinho, vodka, ou até whisky, se quisesse. Mas preferiu não escandalizar a ala mais conservadora e fundamentalista dos religiosos.
Aos 30 anos, foi batizado na piscina da cobertura do palácio, por um dos profetas badalados da época. Enquanto descia às águas, viu-se uma águia, símbolo de conquista, sobrevoar sua cabeça, e uma voz que bradou de algum lugar: Este é o cara! Vai e arrasa!
Saiu dali e foi para uma região praiana, tirar quarenta dias de férias antecipadas. Não precisou ser tentado em nada, pois nunca se negou bem algum. Transformou pedras em pizza, só pra se divertir. E ainda fez malabarismo no pináculo do templo, pra tirar uma onda com os sacerdotes. No final das férias, subiu um monte bem alto, avistou os reinos deste mundo e disse pra si mesmo: Tudo isso me darei!
Quando aproximado por algum gentio, do tipo daquele centurião que tinha um servo enfermo, dizia-lhe: Dá um tempo! Não vim pra vocês, seus impuros, idólatras e ignorantes. E mais: Nunca vi tanta petulância! Onde já se viu? Pedir por um serviçal! Além de gentio, é burro!
Ao deparar-se com um cobrador de impostos desonesto, que subira numa árvore só pra lhe ver, Gezuis lhe disse: Como é que é, meu irmão! Vamos ou não vamos dividir esta grana? Desce logo, que tô com pressa! Hoje me convém me hospedar no melhor hotel da região.
Ao ser tocado por uma mulher hemorrágica, esbravejou: Tira essa louca daqui! Não sabe que a Lei proíbe qualquer aproximação de uma pessoa em seu estado? Imunda!
Por onde passava, seus discípulos estendiam um cordão de isolamento, para que leprosos, morféticos, cegos, endemoninhados, e todo tipo de gente asquerosa não ousassem se aproximar do Rei da cocada preta.
Diferente era o trato que dispensava aos fariseus e religiosos da época.
Venham a mim, todos os que querem alguma vantagem da religião. Vocês serão cabeça e não cauda. Comerão o melhor da terra! Unam-se a mim, e eu lhes farei milionários. Aprendam comigo, que sou malandro e esperto de coração. Espertos são os que riem da desgraça alheia. Espertos são os que gostam de ver o circo pegar fogo. Espertos são os que têm fome e sede de sucesso. Eu saciarei seu ego!
Quando procurado por um jovem rico, disse-lhe, sem o menor pudor: Quer sociedade? Vamos rachar esta grana? Vai ter um lugar especial no meu reino, garoto...
E quando entrou em Jerusalém montado naquele exuberante corcel branco 0 km? Foi tremendo! Não tinha pra ninguém!
- Cruz? Que cruz? Tá doido? Cruz é pra gente como Jesus, aquele nazareno nascido numa manjedoura. Eu vim pra ter vida, e vida com abundância. Quem quiser vir após mim, passa tudo o que tem pra minha conta, e me siga. Ou tudo ou nada! Ou dá ou desce!
Revolucionário? Que nada! Graças a um conchavo político feito às escuras com o Império Romano, Gezuis garantiu para si a sucessão de Herodes, e viveu muitos e muitos anos.
Ao morrer, farto de dias, Gezuis confiou seu legado a um grupo de discípulos seletos, que juraram que sua mensagem jamais seria esquecida, e que ao longo dos séculos, sempre haveria quem a promovesse em sua própria geração. Partiu ordenando que cada um dos seus discípulos lhe beijasse os pés, em sinal de submissão. E que aprendessem a se servir uns dos outros, e ainda se servir dos poderes constituídos, sem jamais criticá-los ou censurá-los.
Promessa feita, promessa cumprida.
Basta ligar a TV, o rádio, ou mesmo acessar a internet, para se dar conta de quantos discípulos de Gezuis ainda dão eco à sua voz.
Créditos: Hermes Fernandes - Genizah - Apologética com Humor
Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2009/10/um-gezuis-estranhamente-familiar.html
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
Voltemos Evangelho
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É com muita alegria e louvor a Deus que anunciamos a Primeira Conferência Cante as Escrituras, que ocorrerá na Igreja Batista Central de Fortaleza (de Pedras), no Ceará [como chegar?]. Acontecerá dia 21 de maio (sábado) das 19:00h às 21:00h. Iremos defender, através de uma análise bíblica, as três premissas básicas de nosso manifesto: "A música cristã deve ser centrada nas Escrituras", "A música cristã deve ser baseada nos Atributos de Deus" e "A música cristã deve expor Cristo".
Com o intuito de cobrir parcialmente alguns gastos e abençoar outras vidas, a conferência não será gratuita. Mas sem desespero! A entrada custará UM REAL + 1 kg de alimento não perecível. O dinheiro cobrirá gastos, os alimentos serão doados para a ação social da própria IBC.
Pregador: Yago Martins, co-diretor e co-fundador do Cante as Escrituras, membro do Ministério Voltemos ao Evangelho e da Missão GAP.
Se você mora no Nordeste do Brasil, especialmente no Ceará, não perca essa oportunidade. Esperamos você lá para juntos proclamarmos uma música gospel mais cristã!
NOTA: A conferência será transmitida ao vivo por twitcam. Siga o Twitter do Cante as Escrituras e esteja online dia 21, às 17:00 horas para conferir.
domingo, 8 de maio de 2011
Mãe, amor!
Minha mãe, nossa mãe, toda mãe! Cansada, sofrida, triste, alegre, serena, guerreira e amorosa.
Vida: amor do mais puro que há no mundo. Porque mãe incondicionalmente é mãe, por isso incondicionalmente ama de todo seu ser e se entrega ao amor sem medo e sem reservas.
Qual mãe não entrega tudo de si para o bem do filho? Pois se preciso da própria boca tira o pão que alimenta e mesmo em face à morte, com unhas e dentes agarra-se à vida. Não para viver pra si, mas para entregar-se pelos seus amados.
Mãe, não só a que gera, mas a que ama e que ensina o amor. Que cuida, que trata, abre as mãos e acolhe lágrimas, enxuga o rosto e sempre tem um colo de tranquilidade para oferecer. Mãe sofre junto, juntamente corre e anda, ama igualmente, chora como também sorri, vive junto, morre junto...
Mãe é vida, desde o ventre até a morte! Há um passo da morte ainda vive! E o que vive é somente amor! Toda mãe é mártir do amor, e todas são guerreiras da vida, heroínas... Na fraqueza dos seus braços aprendemos a vencer batalhas; no derramar de suas lágrimas compreendemos a verdadeira força do coração! No sorriso inocente, puro e por vezes ingênuo, enxergamos a nueza da alma, a beleza da vida, a verdadeira vida!
Por ser mãe, já se é uma vitoriosa. Mas a mera vitória de ser mãe não lhe basta enquanto seus filhotes não abrem as asas e alçam voos para a vida. E se voam, sempre voltam, e sempre precisarão voltar!
As mães, essas sim deveriam ser intituladas santas. De uma santidade invisível aos olhos, mas percebidas nas batidas do coração, nos simples gestos de puro amor.
Que viva toda mãe, e que sejam todas felizes. Que uma mãe jamais veja a dor e morte de seu filho, pois neste está sua vida e seu amor.
Que nenhuma mãe chore de dor ou desespero. Que o Paizinho querido dê a cada mãe o pão que todo dia por Ele é dado. O pão material e principalmete o pão da vida, o pão vivo que desce do céu e alimenta a alma, farta-a e mata toda fome!
Que nenhuma mãe lute em vão, que seus sonhos não sejam despedaçados e que sua luz nunca se apague. E haja em cada uma a certeza de que valeu a pena cuidar da vida e investir dedicação ao humano, mesmo quando este irremediavelmente escolhe caminhos desumanos. Que nenhuma mãe sinta a dor da desumanidade, nem sofra a perda de seu tesouro!
Bendita seja a mãe que ama e que cuida, que tempera com amor e carinho todo sorriso insosso e tira alegria da mais profunda dor! Bendita e cheia de graça seja toda mãe!
Deus abençoe a todas as mães. Deus abençoe minha mãe e a guarde sobre Sua poderosa proteção!
À minha querida mãe!
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Catástrofe no Japão, terremoto no Haiti, assassinatos e massacres no Brasil: Deus é culpado?
Mas nesse novo mundo vemos ainda muitas coisas velhas que insistem em se repetir. Mesmas catástrofes, doenças, mesmos fenômenos, antigos temores, continuação das descobertas, crescimento do conhecimento... O homem continua inventando coisas, e através das invenções e descobertas, consegue ver o universo longíquo, contempla as mais distantes estrelas, desce até as profundezas dos mares, desdobra as mais ínfimas partículas subatômicas, decifra a estrutura dos raios solares e a natureza da luz. Inventa máquinas sofisticadas que resolvem cálculos impossíveis a um mero mortal (paradoxalmente, essas invenções acabam por substituí-lo em suas atividades)...
Físicos, astrônomos e tantos outros tentam enxergar o aparente início de tudo que existe (ao que apelidou-se "big-bang"). E o homem não para apenas no estudo das leis do universo, ainda busca compreender a estrutura e comportamento das espécies, desde os animais mais simples que agem por instinto, até a natureza do comportamento humano, tão imprevisível, tão complexo, tão incompreensível, tão alheio às leis naturais.
E a ciência, utilizando o método científico (método totalmente ateu, diga-se de passagem), tenta responder às mais intrigantes perguntas feitas pelo homem. Aquelas perguntas existenciais e essenciais que fazemos desde criança, e crescemos com elas sem resposta alguma. Porém, como pode a ciência responder a tais questões? Afinal, ciência é ciência, e como em toda boa ciência, não há espaço para respostas transcendentais à razão, ou lugar para propósito algum na vida (nem mesmo que se depare com tal constantemente!). Para a ciência não há espírito, não há alma, não há vida após a morte, não há bem, nem mal; apenas existe o resultado da evolução cega do DNA... Portanto não há Deus, nem coisa alguma que não se enxergue ou não se prove através de seu método! Assim, o homem massacra a natureza, a tortura em busca de suas respostas, fazendo a ela muitas vezes perguntas erradas, porém querendo obter respostas certas!
Como se a única forma de se chegar à verdade fosse através do método científico! Pobres mortais somos, cheios de certezas e incertezas, e também de grandes presunções! Homens das ciências que querem colocar o céu dentro de suas mentes... Enquanto muitos humildemente apenas desejam colocar seus pensamentos dentro do céu!
O fato é que apesar de todo avanço, o homem ainda sequer molhou os pés nos rios do verdadeiro conhecimento, nem superficialmente ele tocou nas questões que sempre fizeram parte da humanidade... Algumas perguntas permancem as mesmas desde o longínquo passado, e jamais foram respondidas pela ciência.
Como cantou Raul Seixas:
E as perguntas continuam
Sempre as mesmas
Quem eu sou?
Da onde venho?
E aonde vou dá?
E todo mundo explica tudo
Como a luz acende
Como um avião pode voar
Ao meu lado um dicionário
Cheio de palavras
Que eu sei que nunca vou usar
Nesses dias de crises econômicas, mazelas e opressões, catástrofes, terremotos e tsunames, essas perguntas vêm à tona. E o mundo olha para os cristãos, para os seguidores e servos de Deus, desse Deus invisível, desconhecido e aparentemente totalmente alheio ao sofrimento humano. O mundo quer respostas, os cristãos também querem, os servos do Deus invisível almejam por uma voz, como voz de trovão, que paire dos céus e explique ao homem porque Deus não interfere para evitar tamanho mal. Então, eis a questão: como nos posicionamos diante dessa perigosa situação e dessas perguntas tão inquietantes e fundamentais?
Todos os que buscamos a verdade, não somente os cristãos, mas principalmente estes ou aqueles que de alguma forma crêem num Deus bondoso e poderoso devem se colocar de pé para dar à humanidade uma resposta, ou pelo menos um ponto de vista aceitável. Mas não apenas uma resposta lógica, pois o mal é, antes, um problema que fere os sentimentos, que aflige a alma; e afinal de contas, do que vale a lógica diante de tamanho sofrimento? Aliás, tem lógica alguma em tanto sofrimento? Poderia uma resposta lógica ser suficiente para não somente explicar males, mas também, e acima de tudo, confortar a alma do ser humano diante de suas perplexidades?
Pergunta-se agora, como em toda época de calamidade: Onde está Deus? Por que ele não faz nada para evitar tanto mal?
Escreveu o filósofo grego Epícuro de Samos (341-270 a.C):
Em outras palavras:“Ou Deus quer abolir o mal, e não pode;
ou ele pode, mas não quer;
ou ele não pode e não quer.
Se ele quer, mas não pode, ele é impotente.
Se ele pode, e não quer, ele é cruel.
Mas se Deus tanto pode quanto quer abolir o mal, como pode haver maldade no mundo?”
- Se for onipotente e onisciente, então tem conhecimento de todo o Mal e poder para acabar com ele, ainda assim não o faz. Então Ele não é Bom.
- Se for onipotente e benevolente, então tem poder para extinguir o Mal e quer fazê-lo, pois é Bom. Mas não o faz, pois não sabe o quanto Mal existe , e onde o Mal está. Então Ele não é onisciente.
- Se for onisciente e Bom, então sabe de todo o Mal que existe e quer mudá-lo. Mas isso elimina a possibilidade de ser onipotente, pois se o fosse erradicava o Mal. E se Ele não pode erradicar o Mal, então porquê chamá-lo de Deus?
Não me atreverei a dar respostas, pois de fato quem as terá? Quem conheceu o pensamento de Deus e compreendeu todos os seus propósitos? Quem entenderá seus motivos e quem estará à altura de questionar sua jusitiça?
O que sabemos, é que o mal nem sempre é uma "dádiva" divina; na verdade o homem muitas vezes cava o buraco de sua própria queda! Aqui no Brasil, os exemplos são infinitos... Começando pelas tragédias das chuvas que derrubam casas mal localizadas, passando pelos grandes desmatamentos, pela má destribuição de renda que provoca a fome de muitos e grande sobra para poucos. Damos ainda uma volta nos antros da política onde o maior destaque quase sempre é a corrupção; chegando então às precárias políticas de reforma agrária, que faz do campo lugar de poucos; e sendo que dentro das cidades parece não haver espaço para todos construírem suas casas e muitos se abrigam ao ar livre! Assim, vendo deste anglo não dá pra dizer que fomos abandonados por Deus, nós é que nos abandonamos! Ou será que Deus descerá do céu para alimentar o pobre, quando ele já deixou tanta comida disponível! O problema é de Deus ou do homem que toma o pão que alimenta seu semelhante?
É sabido também que alguns lugares do planeta são inadequados para sobevivência humana. Inclui-se aí as áreas próximas a vulcões que sem aviso se despertam para o terror daqueles que se aproveitam de suas férteis redondezas. Aparentemente desavisado o homem segue assim... E o que dizer das mudanças climáticas provocadas diretamente pela interferência humana ou da extinção de espécie claramente massacradas pelo homem?
É óbvio que essas poucas palavras não são suficientes (nem pretendem ser) para explicar as tragédias, nem tampouco para confortar as almas humanas. Propositalmente, não irei escrever longo texto explicando localizações geográficas, placas tectônicas ou pesquisas sociológicas; pois para mim, e creio que para todo discípulo de Cristo, as respostas já foram dadas, aquelas muitas descritas pelo Mestre, das quais seguem algumas:
E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e sobre a terra haverá angústia das nações em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas.Essas são as respostas a serem dadas pelos discípulos de Cristo, e creia nelas quem quiser! Quem tiver ouvidos ouça essas palavras! Deixemos, portanto, a resposta final Àquele que é soberano e trata o homem com reta justiça. Sua supremacia será sempre mantida; e queira ou não o homem, Ele tem poder para tirar um bem do mal!
Os homens desfalecerão de terror, e pela expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto os poderes do céu serão abalados.
Então verão vir o Filho do homem em uma nuvem, com poder e grande glória. (Lc. 21:25-27)
E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim.
Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares.
Mas todas essas coisas são o princípio das dores.
Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.
Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão.
Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.
Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo.
E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. (Mt. 24:6-14)
Quando ouvirdes de guerras e tumultos, não vos assusteis; pois é necessário que primeiro aconteçam essas coisas; mas o fim não será logo.
Então lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino; e haverá em vários lugares grandes terremotos, e pestes e fomes; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu. (Lc 21:9-11)
Porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.
E se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias. (Mt. 24:21-22)
Mesmo sem luz, continuamos a crer com o coração partido, porque estamos convencidos de que o caos e a tragédia não podem ter a última palavra. Deus é tão poderoso que pode tirar um bem do mal. Apenas não sabemos como. Esperançosos, fazemos uma aposta nesta possibilidade que não deixa nossas lágrima serem vãs. Ademais, cremos que Deus pode ser aquilo que nós não compreendemos. Acima da razão que quer explicações, há o mistério que pede silêncio e reverência. Ele esconde o sentido secreto de todos os eventos também daqueles trágicos. (Leonardo Boff - Lamento junto a Deus pelo Haiti)
Segue abaixo texto completo de Leonardo Boff, onde fala sobre o desastre no Haiti:
Lamento junto a Deus pelo Haiti
Em cada haitiano que sofre soterrado ou que morre de sede e de fome, morremos um pouco também todos nós junto com eles. Finalmente somos irmãos e irmãs da única e mesma família humana. Como não sofrer?
Mas há também um sofrimento profundo e dilacerante nas pessoas de fé que proclamam que Deus é Pai e Mãe de bondade e de amor. Como continuar a crer? Queixosos nos perguntamos: "Deus, onde estavas quando se formou aquele tremor raso que dizimou os teus filhos e filhas mais pobres e sofridos de todo o extremo Ocidente? Por que não intervieste? Não és o Criador da Terra com seus continentes e suas placas tectônicas? Não és Pai e Mãe de ternura, especialmente, daqueles que são como teu Filho Jesus os injustamente crucificados da história? Por que"?
Este silêncio de Deus é aterrador porque ele simplesmente não tem resposta. Por mais que gênios como Jó, Buda, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Leibniz e outros tivessem arquitetado argumentos para isentar Deus e esclarecer a dor, nem por isso a dor desaparece e a tragédia deixa de existir. A compreensão da dor não suspende a dor, assim como ouvir receitas culinárias não faz matar a fome.
O próprio Jesus não foi poupado da angústia do sofrimento. Do alto da cruz lançou um brado lancinante ao céu, queixando-se:"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste"?
Damos razão a Jó, irritado com seus "amigos" que lhe queriam explicar o sentido de sua dor:"Vós não sois senão charlatães, não sois senão médicos de mentira; se ao menos vos calásseis, os homens tomar-vos-iam por sábios". Mas não podemos calar. A dor é demasiada e a noite, tenebrosa. Precisamos de alguma luz.
Mesmo sem luz, continuamos a crer com o coração partido, porque estamos convencidos de que o caos e a tragédia não podem ter a última palavra. Deus é tão poderoso que pode tirar um bem do mal. Apenas não sabemos como. Esperançosos, fazemos uma aposta nesta possibilidade que não deixa nossas lágrima serem vãs. Ademais, cremos que Deus pode ser aquilo que nós não compreendemos. Acima da razão que quer explicações, há o mistério que pede silêncio e reverência. Ele esconde o sentido secreto de todos os eventos também daqueles trágicos.
Identifico-me com o poema de um grande argentino que perdeu um filho na repressão militar: Juan Gelman:
"Pai, desce do céus, esqueci as orações que me ensinou minha avó, pobrezinha, ela agora repousa, não tem mais que lavar, limpar, não tem mais que preocupar-se, andando o dia todo atrás da roupa, não tem mais que velar de noite, penosamente, rezar, pedir-te coisas, resmungando docemente".
"Pai, desce dos céus, se estás, desce, então, pois morro de fome nesta esquina, não sei para que serve haver nascido, olho as mãos inchadas, não tem trabalho, não tem, desce um pouco, contempla isto que sou, este sapato roto, esta angústia, este estômago vazio, esta cidade sem pão para meus dentes, a febre, cavando-me a carne, este dormir assim, sob a chuva, castigado pelo frio, perseguido".
"Te digo que não entendo, Pai, desce, toca-me a alma, toca-me o coração, eu não roubei, nem assassinei, fui criança e em troca me golpeiam e golpeiam, te digo que não entendo, Pai, desce, se estás, pois busco resignação em mim e não tenho e vou encher-me de raiva e estou disposto a brigar e vou gritar até estourar o pescoço de sangue, porque não posso mais, tenho rins, e sou um homem, desce".
"Que fizeram de tua criatura, Pai? Um animal furioso que mastiga a pedra da rua? Pai, desce".
Que o Pai desça sobre os haitianos com seu amor.
http://www.leonardoboff.com/site/vista/2010/jan29.htm
Para finalizar, algumas palavras de conforto deixadas pelo nosso Senhor Jesus a todos os seus discípulos:
Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, exultai e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima. (Lc. 21:28)
Assim também vós, quando virdes acontecerem estas coisas, sabei que o reino de Deus está próximo. (Lc. 21:31)

