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Dádiva da Adoração a Deus

Adorar a Deus é um gesto simples, mesmo que muitas vezes não seja tão fácil assim, pelo menos quando se refere à verdadeira adoração que é feita alegremente, espontaneamente e em plena sinceridade de coração. Pois, apesar de simples, historicamente a humanidade sempre encontrou grandes dificuldades em oferecer a Deus verdadeira e exclusiva adoração. Continue lendo...

domingo, 5 de junho de 2016

ISAÍAS 58




Não consigo negar que Isaías 58 é um dos textos da bíblia que mais amo e que mais me chama a atenção. Talvez, penso eu, que seja por conta da profunda admiração que tenho pelo profetismo veterotestamentário e pelas suas influências em minha vida. Talvez pela forte influência que a matéria de diaconia teve sobre mim na academia. Talvez pela admiração e respeito pela teologia da libertação e total apoio a teologia da missão integral. E quem sabe Deus, até pela posição politica que flerta com a centro-esquerda. Seja pelo que for... Amo a denúncia de injustiça social dos profetas do antigo testamento e em especial este texto do profeta Isaías. Nele Deus conclama a Isaías a falar a seu povo sobre as suas transgressões e pecados. Não é outro povo! Não são os “descrentes e mundanos”! É o seu povo... A casa de Jacó! Nada mais nada menos que “O grande povo de Deus”.

O começo do texto é no mínimo irônico: “Todavia me procuram cada dia, tomam prazer em saber os meus caminhos, como um povo que pratica justiça, e não deixa o direito do seu Deus; perguntam-me pelos direitos da justiça, e têm prazer em se chegarem a Deus – Verso 2”. Perguntaríamos... O que há de errado com este povo? Será que Deus não errou de destinatário? Esta mensagem não é para os mundanos? Não seria para a Assíria, Babilônia ou Egito? E a resposta é NÃO! Assim como o “estou a porta e bato” refere-se a igreja, Isaías 58 é para a casa de Jacó e por extensão diz respeito a nós.

As denúncias de Deus através de Isaías envolviam:

“Me procuram a cada dia. Tem prazer em saber meus caminhos” - Eles liam muito a bíblia e esta nada falava a eles. “Como um povo que pratica justiça, e não deixa o direito do seu Deus” - Pareciam ser justos, mais o eram tanto quanto os fariseus que lá na frente arrotavam a mesma suposta “justiça” religiosa. Sempre estavam a par constantemente perguntando-se o que era justo e reto: Mas nem de longe praticavam a justiça requerida pelo Eterno.

A grande denúncia de Deus é contra o jejum que simbolizava as práticas religiosas do povo.

Eles não entendiam porque Deus não os ouvia por meio de seus jejuns. Achavam que a prática religiosa deveria obrigar a Deus os ouvir. Oravam de madrugada, não perdiam um culto, sacrificavam metodologicamente. O que estava então errado?

A Bíblia “A mensagem” diz que a razão do jejum era o lucro e que este era conquistado oprimindo os empregados. A prática era tão coerente quanto pregar contra a pobreza em uma comunidade pobre com um relógio de ouro maciço no pulso. Deus não esta proibindo o jejum... Está apontando os falhos e diabólicos motivos que aquela comunidade tinha de praticá-lo. Não raramente transformamos o divino em diabólico. É a intencionalidade do coração que irá apontar se adoramos a Deus ou a Satanás. A linha sempre é tênue!

Outra denúncia acerca do Jejum era o de que ao mesmo tempo em que jejuavam, eles se enfrentavam aos socos e pontapés. A intenção do jejum era a de esconder suas verdadeiras naturezas. O profeta denuncia enfaticamente que este jejum não passará do teto!

Que jejum então Deus se agrada? O próprio responde:

- Soltar as ligaduras da impiedade.
A palavra impiedade não só tem a ver com aqueles que desprezam o divino, mas também com desumanidade e crueldade. No contexto da casa de Jacó a denúncia é de que eram religiosos, mas mesmo assim “ímpios” e desumanos. No entanto, a proposta do evangelho é sempre humanitária, é sempre de nos tornar verdadeiros seres humanos como Jesus e não bonecos de pano como Adão.

- Desatar as amarras do jugo.
Jugo é o que os nordestinos chamam de canga de boi. É não colocar nas costas de outrem o que não se suporta sobre as próprias.

Enfim: Dar liberdade aos oprimidos – Justiça e inclusão Social – Atentar aos invisíveis da sociedade.

ISAÍAS ESTÁ DIZENDO: “QUEBREM OS JUGOS!”. Deixem livres os miseráveis.

- Repartir o pão com o faminto e acolher os necessitados.
A marca essencial do cristão é a partilha. Nada mais diabólico que o individualismo. Vivemos em uma sociedade cada vez mais individualizada, onde “farinha pouca, meu pirão primeiro”, onde “cada um por si e Deus por todos”. Conseguimos estar juntos, como na marcha para Jesus, ao mesmo tempo em que negligenciamos a dor e o cuidado ao outro. Penso que marcha para Jesus é pão na mesa do pobre e justiça social. Dietrich Bonhoeffer dizia que “A igreja só é Igreja se existe para os outros”. Madre Tereza afirmava que “Mãos que servem são mais santas que lábios que rezam”. Para que as palavras “Tive fome e não me deste o que comer” não caiam sobre nós!

Então, diz o profeta, “Romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda. Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente; e se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia.

Divina Dádiva