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Tradução e Legenda: Equipe Deus em Debate.
Créditos: APOLOGIA - http://www.apologia.com.br/?cat=4DOWNLOAD: Media Fire (26.9 mb)
Tradução e Legenda: Equipe Deus em Debate.
Créditos: APOLOGIA - http://www.apologia.com.br/?cat=4
Tradução: Vitor Grando
vitor.grnd@gmail.com
ssa resposta do W.L.Craig é uma ótima introdução à apologética. Ele apresenta boas ferramentas ao leigo que quer estar "sempre preparado para responder a razão da nossa fé" (1 Pe 3.15). Recomendo para todo cristão!
Pergunta:
Dr. Craig, eu estudo na Universidade do Estado de Louisiana e trabalho na biblioteca da faculdade. De todas as pessoas com quem eu trabalho, metade são agnósticas e a outra metade ateísta. Eu me tornei um cristão nascido-de-novo há pouco mais de um ano, após cinco anos de ateísmo. Eu tenho percebido que muitos jovens creem, como eu cria, que a religião é coisa estúpida e de que não há Deus algum. Eu sequer menciono religião para meus colegas de trabalho e alguns deles, ainda assim, dizem coisas horríveis a respeito da religião e do Cristianismo. Eu trabalho com um inglês que diz que seu país é muito não-religioso onde até a menção do nome de Deus é ridicularizada. A América do Norte também tem se tornado descrente. Preocupo-me com nosso futuro. Não sei como combater o ateísmo. Sou cristão, convertido por experiências pessoais, não sou filósofo. Ateus pedem por respostas, respostas que eu não tenho tempo para procurar. Estou fazendo três graduações na LSU e nenhuma delas é filosofia. Como pode um simples estudante leigo, como eu, se tornar um decente defensor do Cristianismo contra esse colegas ateus? Sempre defenderei minha crença em Cristo, mas eles procuram por algo mais do que eu creio. Eles dizem que os crentes são estúpidos e ilógicos, portanto eu gostaria de argumentar fundamentado na lógica e provar a eles que os crentes não são estúpidos. Como alguém que não tem tempo de aprender filosofia ou ler teologia pode debater contra esses descrentes mente-fechada?
John
Dr. Craig responde:
Tendo já falado duas vezes na LSU, eu fiquei surpreso com a atmosfera de descrença que caracteriza a comunidade universitária lá. Isso lhe dá a oportunidade de ser ainda mais luz na escuridão.
Respondo a sua pergunta esta semana, John, porque eu penso que é uma pergunta que muitos cristãos encaram. Não temos tempo para nos tornarmos hábeis apologistas, e ainda assim nos encontramos em situação nas quais somos chamados a apresentar uma "razão para a esperança que há em nós" (1 Pedro 3.15). O que devemos fazer?
Algo fácil que podemos fazer é aprender a formular questões. Greg Kouhl recomenda fazermos duas perguntas aos descrentes:
1. O que você quer dizer com isso?
2. Que razões você tem para pensar isso?
É incrível como essas duas simples perguntas são capazes de embaralhar as pessoas! Por exemplo, pergunte ao descrente o que ele quer dizer quando diz que não acredita em Deus - ele é ateu ou agnóstico? (Prepare-se para explicar a diferença para ele!). O que quer que ele diga, pergunte-o, "Que razões você tem para pensar isso?" Muitas pessoas sequer entendem o que querem dizer com suas afirmações, e provavelmente a maioria não tem boas razões para elas. Enquanto você estiver fazendo perguntas, você não está fazendo afirmação nenhuma, portanto não tem que provar nada. Deixe o ônus da prova com os descrentes.
Outra coisa que você pode fazer é se referir a alguma fonte. Você não precisa ter um cérebo para dizer a alguém, "Você já viu a Blackwell Companion to Natural Theology? Antes de dizer que não há teístas inteligentes e nenhuma boa razão para crer em Deus, talvez seja melhor você dar uma olhada nesse livro primeiro. Caso contrário, você não estará realmente informado". Você não precisar ter lido esses livros se estiver com o tempo apertado. Tudo que você precisa é conhecer alguns títulos: God, Freedom, and Evil, de Alvin Plantinga. The Existence of God, de Richard Swinburne. Finite and Infinite Goods: A Framework for Ethics, de Robert Adams. The Book of Acts in the Setting of Hellenistic History, de Colin Hemer. Jesus Remembered, de James D. G. Dunn. The Resurrection of the Son of God, de N. T. Wright. Envergonhe o descrente pela sua ignorância dessa literatura. Se ele for alguém sincero, recomende que ele pesquisa neste site ou assista a um debate.
Terceiro, aprenda a citar nomes de estudiosos cristãos. Quando o descrente lhe disser que todos os cristãos são ignorantes, mostre-se surpreso e diga surpreendido, "Você realmente acha isso? O que você acha da obra de Alvin Plantinga - ou de William Alston?". Citar nomes pode ser desagradável quando alguém está querendo aparecer, mas num caso como este, você está apenas oferecendo contra-exemplos à alegação de que todos os cristãos são ignorantes, uma visão que está enraizada na ignorância. Aqui vão alguns nomes para serem mencionados: filósofos: Alvin Plantinga* (Universidade de Notre Dame), Peter van Inwagen (Universidade de Notre Dame), William Alston (Universidade de Syracuse), Richard Swinburne (Oxford), Robert Adams (Universidade da Carolina do Norte), Dean Zimmerman (Universidade Rutgers); cientistas: Francisco Ayala (altamente condecorado biólogo evolucionista), Allan Sandage (o astrônomo mais famoso do mundo), Christopher Isham (O maior cosmologista quantum do Reino Unido), George Ellis (uma vez descrito pra mim por um colega como a pessoa que mais sabe de cosmologia do que qualquer homem vivo), Francis Collins (líder do projeto genoma); estudiosos do Jesus histórico: John Meier (autor do estudo multi-volume sobre o Jesus histórico), N. T. Wright (outro grande escritor de obras sobre Jesus, James D. G. Dunn (grande estudioso da Universidade de Durham), Craig Evans (canadense estudioso do Jesus histórico de primeira linha). Pergunte ao descrente como ele pode fazer qualquer afirmação crível sobre o calibre intelectual dos cristãos se ele jamais leu qualquer destes estudiosos.
Quarto, apresente esta réplica às afirmações dele:
"Deixe-me ver se eu entendi: seu argumento é que
1. Cristãos são estúpidos e ilógicos.
2. Portanto, o Cristianismo não é verdadeiro.
Agora me explique como (2) se segue logicamente de (1)?"
Quem está sendo ilógico agora? Você pode até escrever a premissa e a conclusão num papel para ele. Pergunte a ele como a conclusão segue logicamente da premissa. Se ele quiser adicionar algumas premissas ao argumento, vá em frente e deixe-o fazê-lo, e então lhe pergunte quais razões ele tem para pensar que as premissas são verdadeiras. Diga a ele que atacar a inteligência dos cristãos em vez de atacar a visão dos mesmos é cair na falácia de argumentar ad hominem (a falácia de atacar a pessoa em vez da visão da pessoa). Novamente, quem é o ilógico?
Finalmente, John, deixe de dar desculpas e tire algum tempo para se preparar. Você pode tirar uma hora por semana, todo Sábado ou Domingo, e estudar um capítulo de On Guard. Você terminará em dez semanas. Memorize as premissas dos argumentos teístas para que estejam na ponta da língua. Eu garanto que se você fizer isso, estará preparado para lidar com quase todo descrente que cruzar seu caminho. Não é tão difícil, John! Sei que você é ocupado com suas aulas e trabalhos de casa, mas não posso crer que você não consegue arrumar uma hora da semana para investir na preparação apologética. Se fizer isso, não se arrependerá.
O texto original se encontra em: ReasonableFaith.org

Ao analisar as crenças de alguns grupos religiosos, principalmente quando observamos o que estes grupos afirmam sobre questões básicas da fé cristã, no que diz respeito a quem é Deus, Jesus Cristo, Espírito Santo, o homem, a Bíblia, a igreja, a salvação e o pecado, podemos constatar que não existe concordância, que não se fala a mesma língua. Vejamos, de modo bem resumido, três exemplos de credos muito distintos:
Mormonismo (Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias): Deus é um homem evoluído; Jesus é irmão de Lúcifer; o homem poderá evoluir até se tornar um deus; o Livro de Mórmon, Pérola de Grande Valor e Doutrinas e Convênios compõem um complemento da Bíblia e são a base doutrinária do Mormonismo; a salvação só poder ser encontrada no Mormonismo.
Budismo: Nega que Deus (ou deuses – já que não enxerga Deus como o Cristianismo bíblico) possa interagir com o homem, ou seja, é uma divindade impessoal, chegando ao ponto de negar a existência de um ser divino; a realidade não passa de uma grande ilusão; a vida do homem é apenas sofrimento, ou seja, viver é sofrer; “salvação” é tão somente se libertar dos ciclos de reencarnação (ao atingir o Nirvana).
Kardecismo (Espiritismo de Mesa Branca / Espiritismo Científico): Jesus foi um espírito puro, um médium. O Espírito Santo (o Consolador prometido por Jesus em João 16.7) é a própria doutrina codificada por Allan Kardec, ou seja, o Espiritismo é o Consolador; fora da caridade não há salvação (evolução, fim das reencarnações, estágio de pureza de espírito); a Bíblia não é a Palavra de Deus e a reencarnação é o meio pelo qual Deus aplica Sua justiça.
A lista é muito longa, poderíamos falar muito sobre a diversidade de credos, mas os exemplos acima atestam que não há concordância geral com relação aos credos. Como pode então existir aqueles que defendem que todos os caminhos levam a Deus?
Pluralismo Religioso
Pluralismo Religioso é diferente de diversidade ou variedade religiosa. Diversidade/variedade é o fato de que existe uma gama imensa de credos, que até certo ponto produzem benefícios aos indivíduos e a sociedade, e isso é um fato inegável. Ao falar em Pluralismo Religioso designamos a filosofia que afirma que todas as religiões são iguais, boas, com os mesmos fins e que na essência possuem o mesmo sistema de crenças, levando por conseqüência ao mesmo fim. Mas atenção! Não estou dizendo que mórmons, budistas e kardecistas são pluralistas. A pessoa que aceita o pluralismo religioso não é necessariamente praticante de uma religião, mas sim de uma filosofia religiosa.
Para que possamos entender melhor o conceito do pluralismo religioso, precisamos distinguir alguns termos relacionados a tal estudo [1]:
● O Pluralismo Religioso é a crença de que toda religião é verdadeira. Cada uma proporciona um encontro genuíno com o Supremo. Uma pode ser melhor que a outra, mas todas são adequadas.
● O Relativismo afirma que não há critérios pelos quais se possa saber qual religião é verdadeira ou melhor. Não há verdade objetiva na religião, e cada religião é verdadeira para quem acredita nela.
● O Inclusivismo afirma que uma religião é explicitamente verdadeira, enquanto todas as outras são implicitamente verdadeiras.
● O Exclusivismo é a crença de que apenas uma religião é verdadeira, e as outras que se opõem a ela são falsas.
Concordo em todos os sentidos com David K. Clark que define o mundo das religiões como um verdadeiro supermercado onde superabundam produtos atraentes [2]. Neste mercado as pessoas têm consumido aquilo que lhes aprazem, sem se dar o trabalho de entender que não é possível que todos os credos de A a Z (ou do Agnosticismo ao Zen) possam levar ao mesmo fim. Respeitamos sim a variedade religiosa bem como a liberdade religiosa, respeitamos as crenças das pessoas, mas respeito e concordância não significam a mesma coisa. Desta forma discordamos totalmente da cosmovisão pluralista.
Aqueles que defendem a filosofia do Pluralismo Religioso acham que qualquer produto do mercado da fé pode atender as necessidades humanas, por isso tudo é bom e de valor. A questão da utilidade destes produtos vem à tona. Não há uma busca e um exame pelo verdadeiro, mas sim pelo útil. Por exemplo, uma pessoa que possua sua própria religião (um budista), se dirige ao Kardecismo para buscar a comunicação com entes queridos já falecidos. Este simpatizante do Karcecismo abraça-o buscando tão somente a utilidade que o Kardecismo apregoa, mesmo sendo budista.
Logo, os pluralistas religiosos são caçadores de benefícios, e não se importam se os benefícios que buscam se tornem como vendas em seus olhos.
Na contramão desta filosofia está o Exclusivismo Religioso. O Cristianismo é exclusivista. Por maior que seja o grito dos pluralistas, Jesus Cristo, o Filho de Deus disse que é o caminho, a verdade e a vida (João 14.6).
Nosso objetivo como propagadores do Evangelho é levar ao mundo perdido o Salvador, Jesus! Por isso e para isso estamos dispostos a remover a venda que está nos olhos dos pluralistas, fazendo esta obra de apologética não com ódio, mas sim com o amor Daquele que nos amou primeiro.
No próximo degrau vamos tratar de uma polêmica que envolve o exclusivismo cristão: é ofensivo afirmar que Jesus é o único caminho?
Conto contigo!
Toda honra e glória ao Senhor.
Notas
[1] GEISLER, Norman L. Enciclopédia de apologética. Editora Vida. São Paulo, SP: 2002. p.701
[2] CLARK, David K. in BECKWITH, Francis J. & CRAIG, William Lane & MORELAND, J.P. Ensaios apologéticos: um estudo para uma cosmovisão cristã. Hagnos. São Paulo, SP: 2006. p.347
Créditos: Internautas Cristãos
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Nosso próximo sorteio será o livro "A Mente Cristã num Mundo sem Deus", do Dr. James Emery White, professor de Teologia e Cultura no Gordon-Conwell Theological Seminary.
"A maioria dos cristãos preferiria morrer a pensar. Na verdade, é o que fazem."
Bertrand Russell, filósofo ateu
"A mente voltada para Deus enfrenta um desafio cultural: o deus deste mundo – que, não sem forças intelectuais, dispõe-se contra o Reino do Senhor. Entre os poderes desse ataque, estão quatro idéias principais, cada qual essencial para nosso entendimento:
"O Trauma do nosso mundo é que a cosmovisão secular, arraigada no naturalismo, não cumpre o que promete. Em vez de acentuar a satisfação e a realização pessoal, vivemos num deserto moral e espiritual. O relativismo moral tem levado a uma crise de valores; vemo-nos carentes de valores, mas não os temos, e estamos divorciados de qualquer meio para encontrá-los. O individualismo autônomo tem levado a uma falta de visão; nada existe que nos chame para cima, para sermos mais do que somos, além de nós mesmos. O hedonismo narcisista tem cultivado almas vazias, qualquer pessoa que tenha seguido sua trilha sempre embotadora sabe quanto seus apelos são vazios. O naturalismo redutivo, logicamente, tem se provado inadequado para a experiência humana; sabemos intuitivamente que existe mais na realidade do que os cinco sentidos podem verificar, e ansiamos por descobrir aquilo que está além de nós mesmos.
Mas os cristãos têm algo a oferecer ao mundo que o próprio mundo já não tenha? Somos capazes de apresentar Cristo com tanta clareza que os não cristãos possam entender que somente Cristo alcança as mais profundas necessidades da vida deles? Não, se não forjarmos nossa mente na bigorna do desenvolvimento." (Retirado das páginas 27 a 34).
"…não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual."
Colossenses 1.9
Pretendemos realizar o sorteio no dia 31 de Agosto. Quem deseja participar pode clicar aqui e preencher o formulário.
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Um dos maiores escritores católicos da história da Igreja nasceu em 29 de maio de 1874, Kensington, Londres. Seus pais se chamavam Edward Chesterton e Marie Louise Keith. Gilbert Keith Chesterton era um escritor profundo, caridoso e de uma inteligência honesta e brilhante. Teve apenas um irmão, Cecil Chesterton, com quem travou calorosos debates ao longo da infância e juventude.
“Estudante de uma escola de arte ou faz um monte de trabalho ou não faz então coisa alguma. Eu pertencia, com os outros simpáticos companheiros, ao segundo grupo; e isto me arrastava algumas vezes para a companhia de pessoas que eram muito diferentes de mim, mas que eram ociosas por motivos outros.[2]”
“Não me orgulho de crer no demônio, ou melhor dito, não estou orgulhoso de conhecer o demônio. Conheci-o por minha própria culpa; seguia por um caminho que, se houvesse persistido nele, poderia ter me conduzido à adoração do demônio ou o demônio sabe a quê.[4]”
“O fato, porém, extraordinário era o seguinte: Eles me provavam no Capítulo 1, para minha plena satisfação, que o Cristianismo era demasiado pessimista; e depois, no Capítulo 2, começavam a me provar que ele era, em grande parte, otimista demais. Uma acusação contra o Cristianismo dizia que ele, com suas mórbidas lágrimas e terrores, impedia que os homens buscassem a alegria e a liberdade no seio da natureza. Mas outra acusação era a de que ele confortava os homens com uma providência fictícia e os situava num mundo cor-de-rosa e branco.Um grande agnóstico perguntava por que a natureza não era suficientemente bonita e por que era difícil ser livre. Outro grande agnóstico objetava que o otimismo cristão, "o manto do faz-de-conta tecido por mãos piedosas", escondia de nós o fato de que a natureza era feia e era impossível que ela fosse livre. Um racionalista mal terminara de chamar o cristianismo de pesadelo e outro já começava a chamá-lo de falso paraíso [5].”
“Casou-se com Frances Blogg em 1901. Infelizmente não tiveram filhos. Ambas as famílias não viam com bons olhos o casamento. Não tanto pela pessoa de Chesterton, a quem tinham estima e confiança, mas pelo fato de ele conseguir sustentar uma família com o pouco que recebia dos seus trabalhos literários. Chesterton, em uma carta a sua mãe, Marie Louise, se referiu assim a Frances: “[...] é, com certeza, o tipo de mulher que lhe agrada, que se pode chamar de, segundo creio, ‘mulher das mulheres’, com bom humor, pouca lógica e muita simpatia, e não está contaminada por nenhum excesso ofensivo de saúde física.” Tinha consciência de que "o casamento cristão não é algo que nos é sugerido pelas condições sociais do nosso entorno; é algo que nos é sugerido por Deus.” [7]
“Tinha muitos gastos, pois pagava a escola de algumas crianças que ele e Frances apadrinharam. Alguns dos relatos do Padre Brown se devem a essa pressão econômica, assim como às consideráveis contas do jornal G.K.'s Weekly. Eu lhe dizia: “só nos restam 100 libras no banco”. “Está bem, vamos escrever outra história do Padre Brown” e ele o fazia na velocidade de um raio, a partir de umas poucas notas que escrevia num envelope e terminava um ou dois dias depois.” [9]
“Vi Sua Santidade Pio XI” três vezes; na primeira, em uma audiência privada; na segunda, em uma reunião semiprivada de várias pessoas; na terceira, entre as multidões que lotavam [a praça de] São Pedro no dia da beatificação dos mártires ingleses. [...] De repente, saiu uma figura robusta envolta em uma capa, de rosto quadrado e com óculos; começou a falar sobre meus livros, comentando com grande generosidade um trecho que eu havia escrito sobre São Francisco de Assis [11]”.
“E surgiu em minha mente a vaga ideia de dar um fim artístico a esses cômicos despropósitos que eram, ao próprio tempo, trágicos, e construir uma comédia na qual um sacerdote aparentemente não saberia nada, não obstante conhecesse o crime melhor que os criminosos. Coloquei essa ideia essencial em um conto pequeno e improvável chamado “A cruz azul”, continuando através das séries intermináveis de contos com os quais afligi o mundo. Em resumo, permita-me a séria liberdade de tomar o meu amigo e dar-lhe uns quantos golpes, deformando seu chapéu e seu guarda-chuva, desordenando sua roupa, modelando seu rosto inteligente numa expressão cheia de fatuidade e, em geral, disfarçando o padre O’Connor de Padre Brown”[14].
“O pequenino Padre não era interessante de ser contemplado: tinha a cabeleira castanha arrepiada e o rosto arredondado e sem expressão.”[15]; “Silencioso, era um homenzinho curiosamente simpático”[16].
“Este livro foi escrito para ser lido como complemento a Heretics [Hereges] e mostrar o lado positivo além do negativo. Muitos críticos se queixaram daquele livro dizendo que ele simplesmente criticava as filosofias correntes sem oferecer nenhuma filosofia alternativa. Este livro é uma tentativa de responder a esse desafio. Ele é inevitavelmente afirmativo e, por isso mesmo, inevitavelmente autobiográfico.”[18]
“É sempre simples cair; há um número infinito de ângulos para levar alguém à queda, e apenas um para mantê-lo de pé. Cair em qualquer um dos modismos, do agnosticismo à Ciência Cristã, teria de fato sido óbvio e sem graça. Mas evitá-los a todos tem sido uma estonteante aventura; e na minha visão a carruagem celestial voa esfuziante atravessando as épocas. Enquanto as monótonas heresias estão esparramadas e prostradas, a furiosa verdade cambaleia, mas segue de pé.”[19]
“Chesterton foi um dos pensadores mais profundos que jamais existiram. Era profundo porque tinha razão, e não podia deixar de tê la; mas também não conseguia deixar de ser modesto e amável; por isso, deixava os que concordavam com ele pensarem que estava certo e era profundo; quanto aos outros, desculpava se por ter razão, e fazia se perdoar a profundidade com o engenho, pois era só o que eles conseguiam ver nele.[25]";
"A verdade tinha para ele a atração imediata de um apetite. Chesterton tinha fome de realidade. Mas o que é mais importante: ele não podia conceber de si mesmo a não ser satisfazendo essa fome; não lhe era possível hesitar aceitar cada nova porção de verdade; não lhe era possível considerar nada válido que não estivesse conectado com a verdade como um todo [...] [30]”.
“A ideia central é a da defesa da pequena propriedade e da pequena empresa contra o gigantismo, que já no seu tempo ameaçava a sociedade, e que no nosso tornou-se uma calamidade declarada. Afirmava o direito à posse, não como uma concessão, mas ousadamente, como outorgado por Deus; admitia o capital enquanto indispensável reserva, mas não admitia, de modo algum, o capitalismo, porque a principal característica desse regime a seu ver está na raridade e não na abundância do capital. O capitalismo é uma situação em que quase ninguém possui” [31].
“Querido Chesterton, tu e eu não duvidamos em colocarmo-nos de joelhos, mais diante de um Deus mais atual que nunca. Só ele, de verdade, pode dar uma resposta satisfatória a estes três problemas, que são para todos os mais importantes: “Quem sou eu?”; “De onde venho? ”; “Para onde vou? [34]”, Escreveu o primado de Veneza Albino Luciani.
“o Santo é um medicamento, porque ele é um antídoto. Certamente é por isso que o santo é muitas vezes um mártir, ele é confundido com um veneno, porque ele é um antídoto. Ele geralmente será procurado para restaurar a sanidade do mundo, exagerando o que o mundo ignora, que nem sempre é o mesmo elemento em todas as idades. No entanto, cada geração procura o seu santo por instinto, e ele não é o que as pessoas querem, mas sim o que o povo precisa”.[...] Por isso, é o paradoxo da história, que cada geração é convertida pelo santo que contradiz mais[35].”
Chesterton era uma "máquina" intelectual. Escreveu mais de 4.000 artigos para jornais. Não bastasse a infinidade de artigos, escreveu mais de 100 livros e aproximadamente 200 contos, quase todos ditados para sua secretária.
Destacam-se ainda as biografias sobre Tomás de Aquino e Francisco de Assis, além do livro O homem que foi quinta-feira (The Man Who Was Thursday) e a série de livros ficcionais que contam as peripécias protagonizadas pelo personagem Padre Brown. Sua obra literária é tão versátil quanto marcante. Além de Ortodoxia, em que expõe os pilares da fé cristã, Chesterton escreveu Everlasting Man [O homem eterno], obra responsável por levar um jovem ateu, C. S. Lewis, ao cristianismo. Também é atribuída a Chesterton, decisiva influência na vida de líderes de movimentos de libertação como Michael Collins (Irlanda), Mahatma Gandhi (Índia) e Martin Luther King (Estados Unidos).
Chesterton era extremamente consciente de sua fé. Mesmo quando tachado de retrógrado, não se intimidava em defender o ideário cristão e opunha-se, sem pedir licença, ao encantamento que o socialismo, o relativismo, o materialismo e o ceticismo despertavam na intelligentsia européia da primeira metade do século XX. Gilbert Keith Chesterton faleceu em 14 de junho de 1936, em sua residência, na cidade de Beaconsfield (Reino Unido), ao lado de sua esposa Frances Blogg, deixando marcas inesquecíveis em mestres da literatura como Ernest Hemingway, Graham Greene, Jorge Luis Borges, Gabriel García Márquez, Marshall McLuhan, Dorothy L. Sayers, Agatha Christie, Orson Welles e T. S. Eliot, que certa feita afirmou: "Chesterton merece o direito perpétuo a nossa lealdade".